O que quer faça ou diga nunca tem valor. De facto, nada é suficiente. Nem mesmo os meus embaraçados pedidos por ajuda ou as minhas chatas lamentações. Ainda que a atenção de uns dure mais tempo que a de outros, acabo sempre por aborrecer qualquer que seja o meu ouvinte. Se calhar é mesmo esse o sentido da vida: o ser humano nasce sozinho e morre sozinho, o mais certo é, incontrolavelmente, afastar os outros para poder, igualmente, sofrer sozinho. A maioria das pessoas, as que são rotuladas como normais, pela sociedade, aceitam esta imposição que a sua existência lhes traz, mas os denominados cabeças tontas, como eu, não aprovam estas evidências e acabam por sofrer no processo de adaptação à realidade.
Julgo já ter passado esta fase, e acabei por aceitar que o que quer que façamos, mesmo que nos esforcemos mais que o necessário, nunca vai dar frutos suficientes para alimentar a gula da ambição. Temos duas opções: ou nos sujeitamos a, a cada noite, adormecer com a sensação de vazio, ou ingerimos uma quantidade absurda de calorias para enganar o estômago da alma. Infelizmente, na maioria das vezes, opto pela segunda opção. Assusta-me a ideia de estar a engordar a um ritmo alucinante, mas, nos primeiros instantes após a ingestão, a sensação de gordura física aconchega o esqueleto da mente. Mas depois a sensação passa a realidade, e mais uma vez esta se mostra diferente - macabra - e surge um misto de sentimentos de ódio, revolta e culpa. Sinto-me estúpida, fracassada, e quero desaparecer. Contudo, sei que esse não é o caminho. Tento pedir ajuda, mas tudo é em vão, o interesse dos outros é inferior à minha procura do mesmo. Sofro novamente sozinha, em silêncio. A comida parece-me reconfortante.
E o ciclo recomeça, para se repetir tantas vezes quanto a duração da vida permitir.
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