quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O vazio veste tamanho grande

Os meus olhos refletem exaustão de uma batalha que travo pela minha pela minha liberdade. Não me interpretem de forma errada, não tenciono ser livre no mundo, mas sim libertar-me de mim mesma. Sei que não tenho culpa, essa reside na merda da sociedade em que vivemos, que nos adapta à porcaria dos seus costumes e das suas maneiras, que nos modela como se de porções de barro nos tratássemos; que, enfim, faz de nós o que quer.
 Os corpos da multidão adaptam-se, e chamam as mentalidades para o mesmo caminho. Mas há mentes persistentes. Mentes que não cedem ao sentido da corrente, que teimam em manter as suas próprias e singulares ideias, que são superficiais à bolha de ar que é a sociedade. O remédio para essas deveria ser fugir, onde pudessem expressar-se da forma que entendessem; mas num mundo tão carregado de mentalidades leves, não há espaço para algo diferente. Então, elas ficam presas nos corpos frágeis já adaptados ao ar que se respira.
E é aqui que eu entro: a minha alma grita autonomia, pede desesperadamente para se tornar independente do meu corpo, para fugir. Mas fugir para onde? Não há lugar para cabeças que pensam. No mundo de hoje, só há lugar para o vazio.
A angústia que sinto converte-se em raiva; choro sangue. A minha alma morreu mais um pouco, por não ter lugar no espaço que está cheio pelo vazio.

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